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Guia Foca GNU/Linux
Capítulo 18 - SAMBA


Este capítulo descreve a configuração, utilização, aplicação, integração de redes Windows e Linux através do SAMBA. Entre as explicações de cada opção, são passados detalhes importantes relacionados com seu funcionamento, performance e impactos de segurança sobre o servidor como um todo.

Uma seção foi especialmente separada para os mais paranóicos (como eu) conhecerem, combinar e aplicar as restrições de forma mais adequada a configuração da máquina.


18.1 Introdução

O SAMBA é um servidor e conjunto de ferramentas que permite que máquinas Linux e Windows se comuniquem entre si, compartilhando serviços (arquivos, diretório, impressão) através do protocolo SMB (Server Message Block)/CIFS (Common Internet File System), equivalentes a implementação NetBEUI no Windows. O SAMBA é uma das soluções em ambiente UNIX capaz de interligar redes heterogênea.

Na lógica da rede Windows o NetBEUI é o protocolo e o NETBIOS define a forma com que os dados são transportados. Não é correto dizer que o NetBIOS é o protocolo, como muitos fazem.

Com o SAMBA, é possível construir domínios completos, fazer controle de acesso a nível de usuário, compartilhamento, montar um servidor WINS, servidor de domínio, impressão, etc. Na maioria dos casos o controle de acesso e exibição de diretórios no samba é mais minucioso e personalizável que no próprio Windows.

O guia Foca GNU/Linux documentará como instalar e ter as máquinas Windows de diferentes versões (Win3.11, Win95, Win95OSR/2, Win98, XP, WinNT, W2K) acessando e comunicando-se entre si em uma rede NetBEUI. Estas explicações lhe poderão ser indispensáveis para solucionar problemas, até mesmo se você for um técnico especialista em redes Windows e não tem ainda planos de implementar um servidor SAMBA em sua rede.


18.1.1 Versão documentada

A versão do servidor samba documentada neste capítulo do guia é a 2.2.


18.1.2 História

Andrew Tridgell - Desenvolveu o samba porque precisava montar um volume Unix em sua máquina DOS. Inicialmente ele utilizava o NFS, mas um aplicativo precisava de suporte NetBIOS. Andrew então utilizou um método muito avançado usado por administradores para detectar problemas: escreveu um sniffer de pacotes que atendesse aos requerimentos para ter uma única função: analisar e auxilia-lo a interpretar todo o tráfego NetBIOS da rede.

Ele escreveu o primeiro código que fez o servidor Unix aparecer como um servidor de arquivos Windows para sua máquina DOS que foi publicado mais ou menos em meados de 1992 quando também começou a receber patches. Satisfeito com o funcionamento de seu trabalho, deixou seu trabalho de lado por quase 2 anos. Um dia, ele resolveu testar a máquina Windows de sua esposa com sua máquina Linux, e ficou maravilhado com o funcionamento do programa que criou e veio a descobrir que o protocolo era documentado e resolveu levar este trabalho a fundo melhorando e implementando novas funções.

O SAMBA atualmente é um servidor fundamental para a migração de pequenos grupos de trabalho à grandes domínios com clientes mixtos. Nenhum servidor de rede NetBEUI conhecido proporciona tanta flexibilidade de acesso a clientes como o SAMBA para compartilhamento de arquivos/impressão em rede. As funções de segurança que foram adicionadas ao SAMBA hoje garantem um controle mais rigoroso que a própria implementação usada no Windows NT, incluindo o serviços de diretórios, mapeamento entre IDs de usuários Windows com Linux, PDC, perfis móveis e uma coisa que inclusive apresenta problemas no Windows: compatibilidade total entre as diferentes implementações de versões do Windows.

Sua configuração pode receber ajustes finos pelo administrador nos soquetes TCP de transmissão, recepção, cache por compartilhamento, configurações físicas que afetam a performance de rede. Seu código vem sendo melhorado constantemente por hackers, obtendo excelente performance com hardwares mais obsoletos. O guia tem por objetivo abordar estes temas e permitir que você configure seu sistema com uma performance batendo a mesma alcançada em um servidor NT dedicado.


18.1.3 Contribuindo

Para contribuir com o desenvolvimento do samba, veja os detalhes na página: http://us1.samba.org/samba/devel/

Caso encontre um bug no programa, ele poderá ser relatado se inscrevendo na lista de discussão samba-technical-request@lists.samba.org. Após responder a mensagem de confirmação, envie um relato detalhado do problema encontrado no programa.


18.1.4 Características

Segue abaixo algumas funcionalidades importantes de aplicações do samba e seu conjunto de ferramentas:


18.1.5 Ficha técnica

Pacote samba

Outros utilitários importantes para a operação do clientes samba.


18.1.6 Requerimentos de Hardware

Processador 386 ou superior, 15 MB de espaço em disco (não levando em conta os logs gerados e espaço para arquivos de usuários, aplicativos, etc.), 8 MB de memória RAM.


18.1.7 Arquivos de log criados

O daemon nmbd salva seus logs em /var/log/daemon.log (dependendo da diretiva de configuração syslog do arquivo smb.conf) e em /var/log/samba/log.nmbd. Os detalhes de acesso a compartilhamento são gravados no arquivo /var/log/samba/log.smbd (que pode ser modificado de acordo com a diretiva log file no smb.conf, Log de acessos/serviços, Seção 18.2.8.5).


18.1.8 Instalação

Digite apt-get install samba smbclient smbfs para instalar o conjunto de aplicativos samba. O pacote samba é o servidor samba e os pacotes smbclient e smbfs fazem parte dos aplicativos cliente. Caso deseje apenas mapear compartilhamentos remotos na máquina Linux, instale somente os 2 últimos pacotes.


18.1.9 Iniciando o servidor/reiniciando/recarregando a configuração

O servidor samba pode ser executado tanto via inetd como daemon:

inetd

No modo inetd, o servidor de nomes nmbd será carregado assim que for feita a primeira requisição de pesquisa e ficará residente na memória. No caso de acesso a um compartilhamento, o smbd será carregado e lerá a configuração em smb.conf a cada acesso do cliente a um compartilhamento. Quando o samba opera via inetd, ele não usa o controle de acesso dos arquivos hosts.allow e hosts.deny. Veja Restringindo o acesso por IP/rede, Seção 18.12.2 e Restringindo o acesso por interface de rede, Seção 18.12.3 para detalhes de como fazer o controle de acesso.

Para reiniciar o samba digite killall -HUP nmbd. Não é necessário reiniciar o serviço smbd, conforme foi explicado acima.

daemon

Quando opera no modo daemon, ambos os daemons nmbd e smbd são carregados. No caso de um acesso a compartilhamento, é criado um processo filho do smbd que é finalizado assim que o compartilhamento não for mais usado.

Para iniciar o samba em modo daemon digite: /etc/init.d/samba start, para interromper o samba: /etc/init.d/samba stop e para reiniciar: /etc/init.d/samba restart.

Se desejar mudar do modo daemon para inetd ou vice versa, edite o arquivo /etc/default/samba e modifique o valor da linha RUN_MODE= para daemons ou inetd. Uma forma de fazer isso automaticamente é executando o dpkg-reconfigure samba.

OBS: Como praticamente não existe diferença entre os modos de operação inetd e daemon para o SAMBA, é aconselhável que execute sempre que possível via inetd, pois isto garantirá uma disponibilidade maior do serviço caso algo aconteça com um dos processos.


18.1.10 Opções de linha de comando

Opções de linha de comando usadas pelo nmbd:

-H [arquivo_lmhosts]

Quando especificado, o servidor samba fará a procura de nomes primeiro neste arquivo e depois usando a rede.

-s [arquivo_cfg]

Especifica uma nova localização para o arquivo de configuração do samba. Por padrão o /etc/samba/smb.conf é usado.

-d [num]

Especifica o nível de depuração do nmbd, que podem ir de 0 a 10. O valor padrão é 0.

-l [diretório]

Especifica a localização do diretório onde o nmbd gravará o arquivo de log log.nmbd. O valor padrão é /var/log/samba

-n [nomeNetBIOS]

Permite utilizar o nome NetBIOS especificado a invés do especificado no arquivo smb.conf para identificar o computador na rede.


18.2 Conceitos gerais para a configuração do SAMBA

Este capítulo documenta como configurar o seu servidor SAMBA permitindo o acesso a compartilhamento de arquivos e impressão no sistema.


18.2.1 Nome de máquina (nome NetBios)

Toda a máquina em uma rede NetBEUI é identificada por um nome, este nome deve ser único na rede e permite que outras máquinas acessem os recursos disponibilizados ou que sejam enviadas mensagens para a máquina. Este nome é composto de 16 caracteres, sendo 15 que identificam a máquina e o último o tipo de serviço que ela disponibiliza. O tipo de serviço é associado com o nome da máquina e registrado em servidores de nomes confirme a configuração da máquina (você verá isto mais adiante).

O nome de máquina é especificado nas diretivas netbios name e netbios aliases (veja Nomes e grupos de trabalho, Seção 18.2.8.1) para detalhes.


18.2.2 Grupo de trabalho

O grupo de trabalho organiza a estrutura de máquinas da rede em forma de árvore, facilitando sua pesquisa e localização. Tomemos como exemplo uma empresa grande com os departamentos comunicação, redes, web, rh, as máquinas que pertencem ao grupo de redes serão agrupadas no programa de navegação:

     redes
       gleydson
       tecnico
       marcelo
       henrique
       michelle
     
     rh
       mrpaoduro
      
     web
       web1
       web2
       web3
     
     comunicacao
       comunic1
       comunic2
       comunic3

A segurança no acesso a arquivos e diretórios na configuração de grupo de trabalho é controlada pela própria máquina, normalmente usando segurança a nível de compartilhamento. Esta segurança funciona definindo um usuário/senha para acessar cada compartilhamento que a máquina possui. O Lan Manager, Windows for Workgroups, Windows 95, Windows 98, XP Home Edition usam este nível de acesso por padrão. Se deseja configurar uma rede usando o nível de grupo de trabalho, veja Configuração em Grupo de Trabalho, Seção 18.4 para detalhes passo a passo e exemplos práticos.

Os programas para navegação na rede NetBIOS são mostrados em smbclient, Seção 18.14.2.9.2, nmblookup, Seção 18.14.2.9.3 e Programas de navegação gráficos, Seção 18.14.5.


18.2.3 Domínio

O funcionamento é semelhante ao grupo de trabalho, com a diferença que a segurança é controlada pela máquina central (PDC) usando diretivas de acesso e grupos. O PDC (Primary Domain Controller) deverá ter todas as contas de acesso que serão utilizadas pelo usuário para acessar os recursos existentes em outras máquinas, script de logon que poderá ser executado em cada máquina para fazer ajustes, sincronismo, manutenção ou qualquer outra tarefa programada pelo administrador do sistema.

Estas características para configuração de máquinas em domínio são documentadas passo a passo em Uma breve introdução a um Domínio de rede, Seção 18.7.1.


18.2.4 Compartilhamento

Um compartilhamento é um recurso da máquina local que é disponibilizado para acesso via rede, que poderá ser mapeada (veja Mapeamento, Seção 18.2.5) por outra máquina. O compartilhamento pode ser um diretório, arquivo, impressora. Além de permitir o acesso do usuário, o compartilhamento pode ser protegido por senha, e ter controle de acesso de leitura/gravação, monitoração de acessos, diretórios ocultos, autenticação via PDC (domínio) e outras formas para restringir e garantir segurança na disponibilização dos dados (veja Controle de acesso ao servidor SAMBA, Seção 18.12 para aprender os métodos de como fazer isto).

Um compartilhamento no SAMBA pode ser acessível publicamente (sem senha) ou estar rigidamente protegido tendo que passar por diversas barreiras para chegar ao seu conteúdo, como senhas, endereço de origem, interfaces, usuário autorizados, permissões de visualização, etc.

O guia Foca Linux abordará estes assuntos com detalhes e explicará didaticamente como tornar seguro seu servidor samba e garantir um minucioso controle de acesso a seus compartilhamentos.


18.2.5 Mapeamento

Mapear significa pegar um diretório/arquivo/impressora compartilhado por alguma máquina da rede para ser acessada pela máquina local. Para mapear algum recurso de rede, é necessário que ele seja compartilhado na outra máquina (veja Compartilhamento, Seção 18.2.4). Por exemplo, o diretório /usr compartilhado com o nome usr, pode ser mapeado por uma máquina Windows como a unidade F:, ou mapeado por uma máquina Linux no diretório /mnt/samba.

O programa responsável por mapear unidades compartilhadas no Linux é o smbmount e smbclient (veja Linux, Seção 18.14.2.9).


18.2.6 Navegação na Rede e controle de domínio

Esta função é controlada pelo nmbd que fica ativo o tempo todo disponibilizando os recursos da máquina na rede, participando de eleições NetBIOS (Níveis de sistema para eleição de rede, Seção 18.2.12), fazer logon de máquinas no domínio (Uma breve introdução a um Domínio de rede, Seção 18.7.1), etc.

A função de navegação na rede é feita utilizando o compartilhamento IPC$. Este compartilhamento possui acesso público somente leitura e utiliza o usuário "guest" para disponibilização de seus. Como deve ter percebido, é necessário especificar esta ID de usuário através do parâmetro guest account (Descrição de parâmetros usados em compartilhamento, Seção 18.3.1), ou a navegação de recursos no sistema (ou na rede, dependendo da configuração do SAMBA) não funcionará.

OBS: A função de navegação (browsing) poderá não funcionar corretamente caso a máquina não consiga resolver nomes NetBIOS para endereços IP.


18.2.7 Arquivo de configuração do samba

Toda a configuração relacionada com nomes, grupo de trabalho, tipo de servidor, log, compartilhamento de arquivos e impressão do samba é colocada no arquivo de configuração /etc/samba/smb.conf. Este arquivo é dividido em seções e parâmetros.

Uma seção no arquivo de configuração do samba (smb.conf) é definido por um nome entre "[ ]". As seções tem o objetivo de organizar os parâmetros pra que tenham efeito somente em algumas configurações de compartilhamento do servidor (exceto os da seção [global] que não especificam compartilhamentos, mas suas diretivas podem ser válidas para todas os compartilhamentos do arquivo de configuração). Alguns nomes de seções foram reservados para configurações específicas do samba, eles são os seguintes:

[global]

Define configurações que afetam o servidor samba como um todo, fazendo efeito em todos os compartilhamentos existentes na máquina. Por exemplo, o grupo de trabalho, nome do servidor, página de código, restrições de acesso por nome, etc. Veja Seção [global], Seção 18.2.8.

[homes]

Especifica opções de acesso a diretórios homes de usuários. O diretório home é disponibilizado somente para seu dono, após se autenticar no sistema. Veja Seção [homes], Seção 18.2.9.

[printers]

Define opções gerais para controle das impressoras do sistema. Este compartilhamento mapeia os nomes de todas as impressoras encontradas no /etc/printcap. Configurações especiais podem ser feitas separadamente. Veja Seção [printers], Seção 18.2.10.

[profile]

Define um perfil quando o servidor samba é usado como PDC de domínio. Veja Configurando perfis de usuários, Seção 18.7.8.

Qualquer outro nome de [seção] no arquivo smb.conf que não sejam as acima, são tratadas como um compartilhamento ou impressora.

Um parâmetro é definido no formato nome = valor. Para um exemplo prático, veja um exemplo de arquivo smb.conf em Exemplos de configuração do servidor SAMBA, Seção 18.15. Na configuração de booleanos, a seguinte sintaxe pode ser usada:

Assim, as seguintes configurações são equivalentes

     master browse = 0
     master browse = no
     master browse = false

Todos significam "NÃO ser o navegador principal de domínio". A escolha fica a gosto do administrador. Durante a configuração, você notará o poder da flexibilidade oferecida pelo samba na configuração de um servidor SMB :-)

Linhas iniciadas por # ou ; são tratadas como comentário. Quebras de linha pode ser especificadas com uma \ no final da linha.


18.2.8 Seção [global]

Os parâmetros especificados nesta seção tem efeito em todo o servidor samba incluindo os compartilhamentos. Caso o parâmetro seja novamente especificado para o compartilhamento, o valor que valerá é o do compartilhamento.

Por exemplo, se guest user = nobody for usado na seção [global] e o guest user = foca for usado no compartilhamento [focalinux], o usuário que fará acesso público a todos os compartilhamentos do servidor será o nobody, exceto para o compartilhamento [focalinux], que será feito pelo usuário foca. Veja Compartilhamento de arquivos e diretórios, Seção 18.3 para obter uma lista e descrição dos principais parâmetros de compartilhamentos existentes. Uma lista completa pode ser obtida na página de manual do smb.conf.

Irei descrever alguns parâmetros utilizados nesta seção, organizado de forma didática e simplificada.


18.2.8.1 Nomes e grupos de trabalho

netbios name = [nome do servidor]

Especifica o nome NetBIOS primário do servidor samba. Caso não seja ajustado, ele usará o hostname de sua máquina como valor padrão.

Ex.: netbios name = focasamba.

workgroup = [grupo de trabalho/domínio]

Diz qual o nome do grupo de trabalho/domínio que a máquina samba pertencerá.

Ex.: workgroup = focalinux.

netbios aliases = [nomes alternativos ao sistema]

Permite o uso de nomes alternativos ao servidor, separados por espaços.

Ex.: teste1 teste2.

server string = [identificação]

Identificação enviada do servidor samba para o ambiente de rede. A string padrão é Samba %v (%v é substituída pela versão do samba, para maiores detalhes, veja Variáveis de substituição, Seção 18.2.13).

Ex: server string = Servidor Samba versão %v.

name resolve order = [ordem]

Define a ordem de pesquisa para a resolução de nomes no samba. A ordem padrão é: lmhosts host wins bcast, que é a melhor para resolução rápida e que tente gerar menos tráfego broadcast possível. Veja Resolução de nomes de máquinas no samba, Seção 18.5 para uma explicação mais detalhada.


18.2.8.2 Caracteres e página de código

Uma das partes essenciais após colocar o SAMBA em funcionamento, é configurar a página de código para que os caracteres sejam gravados e exibidos corretamente no cliente. A primeira coisa que precisa verificar é se seu kernel possui o suporte a página de código local. Caso não tenha, baixe o fonte do kernel e siga os seguintes passos na configuração:

Note que esta ordem pode variar dependendo da versão do seu kernel, basta que as entenda para fazer as modificações apropriadas.

character set = [conjunto_caracteres]

Seleciona o conjunto de caracteres dos arquivos exibidos pelo servidor samba. Para os idiomas de língua latina, sempre utilize iso8859-1.

Ex.: character set = iso8859-1.

client code page = [pagina_de_codigo]

Seleciona a página de código do servidor samba para tratar os caracteres. Para os idiomas de língua latina, sempre utilize 850.

Ex.: client code page = 850.

preserve case =

Seleciona se arquivos com nomes extensos criados serão criados com os caracteres em maiúsculas/minúsculas definidos pelo cliente (no) ou se será usado o valor de default case (caso seja especificado yes).

short preserve case =

Seleciona se os arquivos com nomes curtos (formato 8.3) serão criados com os caracteres mixtos enviados pelo cliente (no) ou se será usando o valor de default case (caso seja especificado yes).

default case = [lower/upper]

Define se os arquivos criados terão seus nomes todos em minúsculas (lower) ou maiúsculas (upper).

valid chars = [caracteres]

Define caracteres válidos nos nomes de arquivos: valid chars =á:Á é:É í:Í ó:Ó ú:Ú â:Â ê:Ê ô:Ô ã:Ã õ:Õ à:À ò:Ò. Este parâmetro DEVERÁ ser sempre especificado depois do client code page, pois caso contrário, eles serão substituídos por estes.


18.2.8.3 Restrições de acesso/mapeamento de usuários

guest account = [conta]

Define a conta local de usuário que será mapeada quando um usuário se conectar sem senha (usuário guest). Veja mais detalhes em Descrição de parâmetros usados em compartilhamento, Seção 18.3.1.

invalid users

Define uma lista de usuários que não terão acesso aos recursos do servidor ou compartilhamento. É seguro restringir o acesso samba a usuários com grande poder no sistema (como o root). Veja mais detalhes em Restringindo o acesso por usuários, Seção 18.12.4.

valid users

Semelhante a opção invalid users mas permite que somente os usuários especificados tenham acesso ao sistema. Veja mais detalhes em Restringindo o acesso por usuários, Seção 18.12.4.

default service = nome

Caso o serviço que o usuário deseja se conectar não for encontrado no servidor, o SAMBA mapeará o serviço especificado nesta diretiva como alternativa. A variável "%S" e o caracter "_" podem ser interessantes em algumas alternativas de configuração. A opção default é um sinônimo para esta opção. Caso utilize esta opção, crie o compartilhamento em modo somente leitura e com acesso público, caso contrário (dependendo do planejamento de partições e segurança do sistema de arquivos) a máquina poderá ser derrubada sem dificuldades.

username map = [arquivo]

Especifica um arquivo que faz o mapeamento entre nomes fornecidos por clientes e nomes de contas Unix locais. Veja Mapeamento de nomes de usuários, Seção 18.12.16 para mais detalhes de como configurar este recurso.

obey pam restrictions = yes

Indica se as restrições do usuário nos módulos PAM terão efeito também no SAMBA.


18.2.8.4 Níveis de autenticação

(esta seção contém algumas explicações que dependem do resto do conteúdo do guia, caso não entenda de imediato a fundo as explicações, recomendo que a leia novamente mais tarde).

Define o nível de segurança do servidor. Os seguintes valores são válidos:


18.2.8.5 Log de acessos/serviços

log file= [arquivo]

Define a localização e nome do arquivo de log gerado pelo samba. As variáveis de expansão podem ser usadas caso o administrador queira ter um melhor controle dos logs gerados (veja Variáveis de substituição, Seção 18.2.13).

Ex.: /var/log/samba/samba-log-%m.

OBS: Se possível coloque uma extensão no arquivo de log gerado pelo SAMBA (como .log). O motivo disto é porque se estes logs forem rotacionados pelo logrotate você terá problemas de recompactação múltiplas caso utilize um coringa samba-log-*, gerando arquivos como .gz.gz.gz.., lotando a tabela de arquivos do diretório e deixando sua máquina em um loop de compactação.

max log size = [tamanho]

Especifica o tamanho máximo em Kb do arquivo de log gerado pelo samba. O valor padrão é 5000Kb (5MB).

debug pid = [valor]

Este processo adiciona a pid aos logs gerados pelo processo smbd Isto é útil para depuração caso existam múltiplos processos rodando. O valor padrão é no e a opção debug timestamp deve ser yes para esta opção ter efeito.

debug timestamp = [valor]

Ativa ou desativa a gravação de data/hora nos arquivos de log gerados pelo samba. O valor padrão é yes.

debug level = [valor]

Aumenta o nível de depuração dos daemons do SAMBA de 0 a 9. Um nível de depuração interessante e que produz uma quantidade razoável de dados para configuração de um logrotate só para o SAMBA é o 2, produzindo a lista de todos os compartilhamentos acessados, quem acessou, data/hora (dependendo das outras opções de depuração). Isto permite ao administrador saber exatamente o que está sendo acessado e por quem, quais as tentativas de acesso. Assim terá certeza que o conteúdo não está sendo acessado indevidamente. O nível de depuração 0 é o padrão.

debug uid = [valor]

Este parâmetro inclui o euid, egid, uid, gid nos arquivos de log. O valor padrão é no.

lock directory = [diretório]

Define onde serão gravados os arquivos de lock gerados pelo samba.


18.2.8.6 Navegação no servidor/tipo de servidor

os level=[num]

Especifica o nível do sistema operacional. Este número é usado para as eleições netbios para definir o navegador de grupo local e controlador de domínio (veja Níveis de sistema para eleição de rede, Seção 18.2.12 para detalhes). O valor pode ser de 0 a 255, o padrão é 32.

announce as = [sistema]

Selecione o nome que o samba (nmbd) se anunciará na lista de pesquisa de rede. Os seguintes nomes podem ser usados:

domain master = [valor]

Diz se o servidor tentará se tornar o navegador principal de domínio. Os valores que podem ser especificados são: yes, no e auto. O valor padrão é auto. Veja Domain Master Browser, Seção 18.7.3.

local master = [valor]

Diz se o servidor participará ou não das eleições para navegador local do grupo de trabalho (workgroup). Os valores que podem ser especificados são: yes, no. O valor padrão é yes. Para vencer a eleição, o samba precisa ter o valor de os level maior que os demais.

Note também que o Windows NT não aceita perder as eleições e convoca uma nova eleição caso ele perca. Como esta eleição é feita via broadcasting, isso gera um tráfego grande na rede. Desta forma, se tiver um computador NT na rede configure este valor para "no". Veja Local Master Browser, Seção 18.7.2.

preferred master = [valor]

Diz se o servidor samba terá ou não vantagens de ganhar uma eleição local. Se estiver configurado para "yes", o servidor samba pedirá uma eleição e terá vantagens para ganha-la. O servidor poderá se tornar garantidamente o navegador principal do domínio se esta opção for usada em conjunto com domain master = 1. Os valores especificados podem ser yes, no e auto, o padrão é auto.

Antes de ajustar este valor para yes, verifique se existem outros servidores NetBIOS em sua rede que tem preferência para se tornar o master principal, pois poderá ocorrer um tráfego alto de broadcasting causado pelas eleições solicitadas pelas outras máquinas.


18.2.8.7 Outros parâmetros de configuração

include

Inclui um outro arquivo de configuração na porção atual do arquivo de configuração. Você pode utilizar variáveis de substituição, exceto %u, %P e %S (veja Variáveis de substituição, Seção 18.2.13).


18.2.9 Seção [homes]

Esta seção tem a função especial de disponibilizar o diretório home do usuário. Quando o usuário envia seu nome de login como compartilhamento é feita uma busca no arquivo smb.conf procurando por um nome de compartilhamento que confira. Caso nenhum seja encontrado, é feita uma busca por um nome de usuário correspondente no arquivo /etc/passwd, se um nome conferir e a senha enviada também, o diretório de usuário é disponibilizado como um compartilhamento com o mesmo nome do usuário local. O diretório home do usuário poderá ser modificado com o uso de mapeamento de nomes, veja Mapeamento de nomes de usuários, Seção 18.12.16. Quando o caminho do compartilhamento não for especificado, o SAMBA utilizará o diretório home do usuário (no /etc/passwd).

Para maior segurança da instalação, principalmente porque o diretório home do usuário não é um requerimento para a autenticação de usuário, recomendo usar a variável de substituição %S apontando para um diretório com as permissões apropriadas configuradas em seu sistema, por exemplo:

      [homes]
       comment = Diretórios de Usuários
       path=/pub/usuarios/%S

Você apenas terá o trabalho extra de criar os diretórios de usuários que farão acesso ao sistema. Isto não será nenhum problema após você programar um shell script simples que verifique os nomes de contas em /etc/passwd e crie os diretórios com as permissões/grupos adequados (isso não será abordado por este capítulo do guia, embora não seja complicado). Se deseja, existem exemplos em Exemplos de configuração do servidor SAMBA, Seção 18.15 sobre a seção [homes] no arquivo de configuração.

Os parâmetros aceitos em [homes] aqui são os mesmos usados para compartilhamentos normais (veja Descrição de parâmetros usados em compartilhamento, Seção 18.3.1). Abaixo segue mais um exemplo de seção [homes]:

     [homes] 
     comment = Diretório home de usuários
     writable = yes
     public = no
     invalid users = root nobody @adm
     follow symlinks = no
     create mode = 0640
     directory mode = 0750

A explicação de cada um dos parâmetros podem ser encontradas em Descrição de parâmetros usados em compartilhamento, Seção 18.3.1. O guia está com os parâmetros bem organizados em seções específicas, apenas de uma olhada para entender com o capítulo do SAMBA foi organizado e não terá dificuldades de se localizar.

OBS1:Caso nenhum caminho de compartilhamento seja utilizado, o diretório home do usuário será compartilhado.

OBS2:Não utilize o parâmetro public yes na seção guest, caso contrário todos os diretórios de usuários serão lidos por todos. Veja Considerações de segurança com o uso do parâmetro "public = yes", Seção 18.12.14 para maiores detalhes.


18.2.10 Seção [printers]

Esta seção tem a função de disponibilizar as impressoras existentes no sistema (lp, lp1, lp2, etc) existentes no /etc/printcap como compartilhamento de sistemas Windows. O método que os nomes de impressoras são pesquisados é idêntico a forma feita para a seção [homes]: Primeiro o nome do compartilhamento é pesquisado como um nome de serviço, depois se ele é um nome de usuário (tentando mapear o serviço disponibilizado em [homes]), depois será verificado a seção [printers].

Ao invés de usar este recurso, se preferir você poderá compartilhar as impressoras individualmente. Para detalhes, veja Configurando o Linux como um servidor de impressão Windows, Seção 18.11.1.

OBS:É importante lembrar que a seção [printers] DEVE ser definida como printable usando o parâmetro printable = yes para funcionar. O utilitário testparm poderá ser usado para verificar problemas no arquivo cd configuração do SAMBA (veja Buscando problemas na configuração, Seção 18.2.11).


18.2.11 Buscando problemas na configuração

Durante o processo de configuração do SAMBA, é comum cometer erros de digitação, usar parâmetros em lugares indevidos, etc. É recomendável o uso do testparm para checar a configuração do SAMBA sempre que houver modificações para ter certeza nada comprometa o funcionamento que planejou para sua máquina.

Para usar o testparm é só digitar testparm. Logo após executa-lo, analise se existem erros nas seções de configuração e te pedirá para pressionar <ENTER> para ver um dump do arquivo:

     Load smb config files from /etc/samba/smb.conf
     Processing section "[homes]"
     Processing section "[printers]"
     Processing section "[tmp]"
     Processing section "[cdrom]"
     Loaded services file OK.
     Press enter to see a dump of your service definitions

A saída acima indica que está tudo OK com todas as configurações que foram realizadas no servidor. É possível especificar um outro arquivo de configuração do SAMBA usando testparm /etc/samba/smb2.conf.

Também é permitido simular o nome NetBIOS que fará acesso a máquina usando o parâmetro -L nome (que será substituído na variável %L).


18.2.12 Níveis de sistema para eleição de rede

Para selecionar qual sistema NetBIOS será o local master browse ou domain master browse, é usado um método bastante interessante: o de eleições.

Quando uma nova máquina entra na rede NetBIOS, ela solicita quem é o Local Master Browser, caso nenhuma responda, ela força uma eleição na rede através de uma requisição Broadcasting especial. Vence a eleição quem tiver o ***maior número***, chamado de OS Level (nível de sistema operacional). Caso duas máquinas empatem, o desempate é feito usando outros critérios.

Se você for a única máquina de um workgroup, automaticamente você será o Local Master Browser. De meia em meia hora uma nova eleição é feita, forçando mais tráfego broadcasting na rede. Durante este novo processo de eleição, a lista de computadores é atualizada; as novas máquinas são adicionadas e as desligadas saem da lista após 36 minutos. Este é o motivo porque as máquinas Windows continuam aparecendo no ambiente de rede por algum tempo mesmo depois que desligadas ou porque elas não aparecem de imediato.

O OS Level é um número que é característico de cada sistema operacional ficando entre 0 (mais baixo) e 255. Os níveis de acessos dos sistemas operacionais são os seguintes:

     Windows for Workgroups                         1
     Windows 95                                     1
     Windows 98                                     2
     Windows 98 Second Edition                      2
     
     
     Windows 2000 Server (standalone)               16
     Windows 2000 Professional                      16
     Windows NT 4.0 Wks                             17
     Windows NT 3.51 Wks                            16
     
     
     Windows NT 3.51 Server                         32
     Windows NT 4.0 Server                          33
     Windows 2000 Server (Domain Controller)        32
     
     SAMBA                                          32

O valor padrão do OS Level do SAMBA é 32, entretanto ele é bastante flexível para permitir sua mudança através do parâmetro "os level" (veja Navegação no servidor/tipo de servidor, Seção 18.2.8.6), isto garante que o SAMBA sempre vença as eleições da rede sobre qualquer outro sistema operacional.

No caso de um servidor que estiver configurado para ser o navegador de rede, assim que for iniciado ele solicitará uma eleição de rede. As regras são as mesmas, vence o que tiver o *maior* número. Este número pode ser configurado facilmente no SAMBA para que ele sempre vença as eleições de rede, tomando conta da lista de máquinas. Isto é especialmente interessante por causa da estabilidade do servidor Linux, quando migramos de servidor NT ou para fornecer mais serviços de navegação, como servidor WINS.

OBS: Nunca deixe um servidor NT configurado para ser o Local Browser ou Domain Master Browser competir com o SAMBA. Mesmo que o SAMBA ganhe, o NT é um péssimo perdedor e convoca uma nova eleição para tentar novamente se eleger, gerando um *extremo* tráfego broadcasting em redes grandes.


18.2.13 Variáveis de substituição

Esta seção foi baseada nos dados da página de manual do samba, com adições que não estavam presentes na versão original e exemplos. Existem variáveis especiais que podem ser usadas no arquivo de configuração do samba e são substituídas por parâmetros especiais no momento da conexão do usuário. Um exemplo de utilização de variáveis de substituição seria mudar a localização do diretório home do usuário:

     [homes]
      comment = Diretório home do usuário
      path = /home/usuarios/%u

Cada uma das variáveis são descritas em detalhes abaixo:

%S

O nome do serviço atual, se existir. Seu uso é interessante, principalmente no uso de diretórios homes.

%P

O diretório raíz do serviço atual, se existir.

%u

O nome de usuário do serviço atual, se aplicável. Esta variável é bastante útil para programação de scripts e também para criar arquivos de log personalizados, etc.

%g

O grupo primário do usuário %u.

%U

O nome de usuário da seção (o nome de usuário solicitado pelo cliente, não é uma regra que ele será sempre o mesmo que ele recebeu).

%G

O nome do grupo primário de %U.

%H

O diretório home do usuário, de acordo com %u.

%v

A versão do Samba.

%h

O nome DNS da máquina que está executando o Samba.

%m

O nome NetBIOS da máquina do cliente. Isto é muito útil para log de conexões personalizados e outras coisas úteis.

%L

O nome NetBIOS do servidor. Como o servidor pode usar mais de um nome no samba (aliases), você poderá saber com qual nome o seu servidor está sendo acessado e possivelmente torna-lo o nome primário de sua máquina.

%M

O nome DNS da máquina cliente.

%N

O nome do seu servidor de diretórios home NIS. Este parâmetro é obtido de uma entrada no seu arquivo auto.map. Se não tiver compilado o SAMBA com a opção --with-automount então este valor será o mesmo de %L.

%p

O caminho do diretório home do serviço, obtido de uma entrada mapeada no arquivo auto.map do NIS. A entrada NIS do arquivo auto.map é dividida na forma "%N:%p".

%R

O nível de protocolo selecionado após a negociação. O valor retornado pode ser CORE, COREPLUS, LANMAN1, LANMAN2 ou NT1.

%d

A identificação de processo do processo atual do servidor.

%a

A arquitetura da máquina remota. Somente algumas são reconhecidas e a resposta pode não ser totalmente confiável. O samba atualmente reconhece Samba, Windows for Workgroups, Windows 95, Windows NT e Windows 2000. Qualquer outra coisa será mostrado como "UNKNOWN" (desconhecido).

%I

O endereço IP da máquina do cliente.

%T

A data e hora atual.

%$(var_ambiente)

Retorna o valor da variável de ambiente especificada.


18.3 Compartilhamento de arquivos e diretórios

Esta seção documenta como disponibilizar arquivos e impressoras com o SAMBA e os parâmetros usados para realizar restrições de compartilhamento, modo que os dados serão disponibilizados e ítens de performance. A maior parte destes parâmetros são empregados em serviços do SAMBA, mas nada impede que também sejam colocado na seção [global] do arquivo de configuração, principalmente quando isto é válido para diversos serviços compartilhados (veja Seção [global], Seção 18.2.8).


18.3.1 Descrição de parâmetros usados em compartilhamento

Abaixo o guia traz algumas das opções que podem ser usadas para controlar o comportamento do compartilhamento de arquivos por serviços no servidor SAMBA:

path

Indica o diretório que será compartilhado. Lembre-se que o usuário terá as permissões de acesso que ele teria caso estivesse logado no sistema como um usuário UNIX normal, exceto se estiver fazendo mapeamento para outros nomes de usuários (veja Mapeamento de nomes de usuários, Seção 18.12.16).

Ex: path=/pub - Compartilha o diretório local /pub.

OBS: Quando não é definido um path, o diretório /tmp é usado como padrão.

comment

Descrição do compartilhamento que será mostrada na janela de procura de rede ou no smbclient -L maquina.

Ex: comment=Pasta de conteúdo público do sistema.

browseable

Define se o compartilhamento será ou não exibido na janela de procura de rede. Mesmo não sendo exibido, o compartilhamento poderá ser acessado. Veja Criando um compartilhamento invisível, Seção 18.12.12 para uma explicação mais detalhada.

Ex: browseable=yes - Lista o compartilhamento na janela de pesquisa de servidores.

guest account

Conta que será usada para fazer acesso sem senha (convidado) quando o parâmetro guest ok ou public forem usados em um compartilhamento. Por padrão ela é mapeada para o usuário nobody. É importante especificar uma nome de usuário guest (convidado), principalmente porque seu UID será usado para fazer várias operações no SAMBA, como exibir os recursos disponíveis na máquina para a rede. Por motivos claros, é recomendável que este usuário não tenha acesso login ao sistema.

Caso não tenha a intenção de ocultar o SAMBA na lista de máquinas da rede (fazendo apenas acesso direto aos recursos), especifique um valor para esta opção.

Ex: guest account = sambausr - Mapeia os usuário se conectando sem senha para o usuário sambausr, desde que o acesso guest seja permitido pela opção public.

public

Permitem aos usuários usuários se conectarem ao compartilhamento sem fornecer uma senha usando o usuário guest. O UID que o usuário guest será mapeado é especificado pelo parâmetro guest account). Veja Criando um compartilhamento para acesso sem senha, Seção 18.12.7. O parâmetro guest ok é equivalente a public.

Ex: public = no - Não permite

guest only

Permite somente conexões guest ao recurso. O UID do usuário é mapeado para guest, mesmo que forneça uma senha correta. O valor padrão é no.

Ex: guest only = no.

write list

Lista de usuários separados por espaço ou vírgula que poderão ler e gravar no compartilhamento. Caso o nome for iniciado por "@", o nome especificado será tratado como um grupo UNIX (/etc/group) e todos os usuários daquele grupo terão acesso de gravação. O uso deste parâmetro ignora o read only = yes. Veja Excessão de acesso na permissão padrão de compartilhamento, Seção 18.12.10 para mais detalhes.

Ex: write list = gleydson, @usuarios - Permite acesso gravação somente do usuário gleydson e todos os usuários pertencentes ao grupo @usuarios.

OBS: - O significado de "@" nos parâmetros "invalid users"/"valid users" é diferente das opções write list e read list.

read list

Lista de usuários separados por espaço ou vírgula que poderão apenas ler o compartilhamento. O caracter "@" pode ser especificado para fazer referência a grupos, como no write list. O uso deste parâmetro ignora o read only = no. Veja Excessão de acesso na permissão padrão de compartilhamento, Seção 18.12.10 para mais detalhes.

Ex: read list = nobody, system, operador, @usuarios - Permite acesso de leitura somente do usuário nobody, system, operador e todos os usuários pertencentes ao grupo @usuarios.

user

Especifica um ou mais nomes de usuários ou grupos (caso o nome seja seguido de "@") para checagem de senha. Quando o cliente somente fornece uma senha (especialmente na rede Lan Manager, Windows for Workgroups e primeira versão do Windows 95) ela será validada no banco de dados de senhas usando o usuário especificado nesta opção.

Ex: user = john @usuariosrede

only user

Especifica se somente serão permitidas conexões vindas de usuários da diretiva user. O padrão é no. Caso deseje restringir o acesso a determinados usuários, o certo é faze-lo usando valid users e invalid users (veja Restringindo o acesso por usuários, Seção 18.12.4). O uso de only user é apropriado quando é necessário um controle específico de acesso sobre a diretiva user.

Ex: only user = no.

locking

Permite ao SAMBA fazer um lock real de arquivo ou apenas simular. Caso seja especificado como "0", o arquivo não é bloqueado para acesso exclusivo no servidor mas uma resposta positiva de lock é retornada ao cliente. Se definido como "1", um lock real é feito. O padrão é yes.

Ex: locking = yes

available

Faz o SAMBA ignorar o compartilhamento (como se tivesse retirado do servidor). O valor padrão é "no".

follow symlinks

Permite o uso de links simbólicos no compartilhamento (veja também a opção wide links). A desativação desta opção diminui um pouco a performance de acesso aos arquivos. Como é restrita a compartilhamento, o impacto de segurança depende dos dados sendo compartilhados. O valor padrão desta opção é "YES".

Ex: follow symlinks = yes

wide links

Permite apontar para links simbólicos para fora do compartilhamento exportada pelo SAMBA. O valor padrão esta opção é "YES".

Ex: wide links = yes.

OBS: - A desativação desta opção causa um aumento na performance do servidor SAMBA, evitando a chamada de funções do sistema para resolver os links. Entretanto, diminui a segurança do seu servidor, pois facilita a ocorrência de ataques usando links simbólicos.

Lembre-se mais uma vez que a segurança do seu sistema começa pela política e uma instalação bem configurada, isso já implica desde a escolha de sua distribuição até o conhecimento de permissões e planejamento na implantação do servidor de arquivos.

dont descend

Não mostra o conteúdo de diretórios especificados.

Ex: dont descend = /root, /proc, /win/windows, "/win/Arquivos de Programas", "/win/program files".

printable

Especifica se o compartilhamento é uma impressora (yes) ou um compartilhamento de arquivo/diretório (no). O padrão é "no".

read only

Especifica se o compartilhamento é somente para leitura (yes) ou não (no) para todos os usuários. O parâmetro writable é um antônimo equivalente a este parâmetro, só que utiliza as opções invertidas. Por segurança, o valor padrão é somente leitura. Veja uma explicação mais detalhada em Criando um compartilhamento com acesso somente leitura, Seção 18.12.8.

Ex: read only = yes.

create mask

Modo padrão para criação de arquivos no compartilhamento. O parâmetro "create mode" é um sinônimo para este. O modo de arquivos deve ser especificado em formato octal.

Ex: create mask = 0600.

directory mask

Modo padrão para a criação de diretórios no compartilhamento. O parâmetro "directory mode" é um sinônimo para este. O modo de diretório deve ser especificado em formato octal.

Ex: directory mask = 0700.

getwd cache

Permite utilizar um cache para acesso as requisições getwd, diminuindo o número de ciclos de processamento para acesso a arquivos/diretórios. O valor padrão é "Yes".

write cache size

Tamanho do cache de leitura/gravação do compartilhamento. Este valor é especificado em bytes e o padrão é "0". Veja Melhorando a performance do compartilhamento/servidor, Seção 18.13 para detalhes sobre seu uso.

Ex: write cache size = 384000.

inherit permissions

Permite herdar permissões de arquivos/diretórios do diretório pai quando novos arquivos/diretórios são criados, isto inclui bits SGID (set group ID). O padrão é NÃO herdar permissões. O uso desta opção substitui as opções fornecidas por create mask, directory mask, force create mask e force directory mask.

Ex: inherit permissions.

preexec

Executa um comando antes a abertura de um compartilhamento. O parâmetro exec é um sinônimo para este. Veja Executando comandos antes e após o acesso ao compartilhamento, Seção 18.12.13.

postexec

Executa um comando depois da utilização do compartilhamento. Veja Executando comandos antes e após o acesso ao compartilhamento, Seção 18.12.13.

preexec close

Fecha imediatamente o compartilhamento caso o valor do comando executado pela opção preexec seja diferente de 0. O uso desta opção só faz sentido em conjunto com preexec. O valor padrão é "no". Veja Executando comandos antes e após o acesso ao compartilhamento, Seção 18.12.13.

Exemplo: preexec close = yes.

volume = nome

Retorna o nome de volume especificado quando é feito o acesso ao compartilhamento. Isto é muito útil para instalações onde o serial do CD, disquete ou HD é verificado durante o acesso. Isto acontece com freqüência em produtos de fabricantes proprietários como forma de evitar a execução ilegal do programa.


18.4 Configuração em Grupo de Trabalho

A configuração grupo de trabalho é o método mais simples para compartilhar recursos em uma rede e também é indicado quando se possui uma rede pequena (até 30 máquinas) pois o gerenciamento não é tão complicado. Acima deste número, é recomendada a utilização da configuração de domínio para definição de políticas de acesso mais precisas pelo administrador e para manter o controle sobre os recursos da rede (veja Configurando um servidor PDC no SAMBA, Seção 18.7.4).

A configuração do nível de acesso por grupo de trabalho tem como características principais essa simplicidade na configuração e o controle de acesso aos recursos sendo feito pela máquina local através de senhas e controle de IP.

Quanto ao método de senhas, você pode optar tanto por usar senhas criptografadas (Ativando o suporte a senhas criptografadas, Seção 18.8) ou senhas em texto limpo (Ativando o suporte a senhas em texto plano, Seção 18.9).

Veja abaixo um exemplo explicado de configuração do SAMBA para grupo de trabalho:

      [global]
       netbios name = servidor
       workgroup = focalinux
       security = user
       obey pam restrictions = yes
       encrypt passwords = no
       os level = 30
       guest account = nobody
       server string = servidor da rede
       local master = true
       domain master = false
     
      [homes]
       comment = Diretórios de usuários
       create mask= 0700
       directory mask = 0700
       browseable = no
       
      [tmp]
       path = /tmp
       comment = Diretório temporário do sistema
       read only = yes
       valid users = gleydson
       public = no

Agora, verifique se existem erros na configuração com o comando testparm (Buscando problemas na configuração, Seção 18.2.11) e reinicie o SAMBA (Iniciando o servidor/reiniciando/recarregando a configuração, Seção 18.1.9). O nome do grupo de trabalho que a máquina pertencerá é focalinux (workgroup = focalinux). O nível de acesso usado neste exemplo é de usuário (security = user), para mais detalhes sobre este método, veja Níveis de autenticação, Seção 18.2.8.4. O parâmetro local master foi definido para yes para o SAMBA tentar ser o navegador local do grupo de trabalho (veja Local Master Browser, Seção 18.7.2).

Para testar se o servidor está funcionando, digite o seguinte comando:

     smbclient -L servidor -U usuario

Digite a senha de usuário quando solicitado. O comando deverá listar os recuros da máquina, indicando que a configuração está funcionando corretamente. Se você é paranóico e está preocupado com a segurança da máquina, recomendo ler a Controle de acesso ao servidor SAMBA, Seção 18.12.


18.5 Resolução de nomes de máquinas no samba

O Samba pode utiliza os seguintes métodos para resolução de nomes de máquinas na rede (Nome de máquina (nome NetBios), Seção 18.2.1). Eles estão listados em ordem de prioridade do mais para o menos recomendável:

A ordem que a resolução de nomes é feita pelo samba, pode ser modificada usando o parâmetro "name resolve order = [ordem]" no arquivo de configuração do samba (ex. name resolve order = lmhosts host wins bcast).


18.5.1 Arquivo /etc/samba/lmhosts

Este arquivo é um banco de dados que mapeia o endereço IP com o nome NetBIOS de uma máquina, semelhante ao formato do /etc/hosts. Este arquivo é útil quando temos servidores que são acessados com freqüência, quando servidores de rede estão em segmentos separados e não temos um servidor WINS entre os dois pontos para resolução de nomes, para definir máquinas WINS que serão acessados pela internet, etc. Para ter certeza da localização do arquivo lmhosts em sua máquina, digite smbclient -d 3 -L localhost e veja o diretório de pesquisa deste arquivo. Veja um exemplo de arquivo lmhosts em Exemplo de lmhosts do UNIX, Seção 18.5.1.1.

O uso do arquivo lmhosts evita o excesso de broadcasting na rede, pois a ordem padrão usada para a resolução de nomes do samba, procura primeiro resolver o nome procurando em arquivos lmhosts, depois usando dns, wins e broadcast. Dependendo do projeto de sua rede e como as máquinas resolvem os nomes, ele pode ser uma camada a mais de segurança contra um simples hijacking de servidor através de NetBEUI ou WINS (isso é evitado com o uso de domínios, veja Configurando um servidor PDC no SAMBA, Seção 18.7.4).

OBS: Note que em clientes Windows que estejam em outra subrede, é necessário o arquivo \windows\lmhosts apontando para um servidor PDC mesmo que ele esteja apontando para o servidor WINS, caso contrário, a máquina não efetuará o logon.

O formato do arquivo lmhosts do Windows é mais complexo do que o do Linux pois o sistema precisa de mais detalhes para resolver os nomes e tipos de máquinas no domínio. Veja o modelo lmhosts.sam em seu sistema Windows para compreender seu funcionamento.


18.5.1.1 Exemplo de lmhosts do UNIX

O exemplo abaixo mapeia o endereço IP das máquinas (primeira coluna) com o respectivo nome de máquina (segunda coluna):

     172.16.0.34 servarq
     172.16.0.30 serverdom
     192.168.5.2 servwins
     172.16.0.3 servpdc
     172.16.0.1 gateway

18.5.1.2 Exemplo de lmhosts do Windows

O arquivo possui uma sintaxe idêntica a do lmhosts do UNIX, mas alguns parâmetros especiais são especificados para ajudar o Windows resolver algumas coisas que não consegue fazer sozinho (principalmente com relação a identificação de função de máquinas em redes segmentadas):

     192.168.0.5 servarq
     192.168.0.1 serverpdc #PRE #DOM:dominio
     192.168.0.2 "serverwins    \0x1e" #PRE
     #INCLUDE \\serverpdc\lmhosts

A primeira entrada do arquivo é a tradicional, onde o nome da máquina NetBIOS é associada ao IP. A segunda utiliza dois parâmetros adicionais:

Note que ambos #PRE e #DOM devem ser especificados em maiúsculas. O terceiro exemplo faz uma referência permanente (#PRE) a máquina servidora WINS serverwins. Neste exemplo é usada uma característica especial para especificar a ID hexadecimal da máquina na rede 1e. O quarto utiliza um include para associar outro arquivo ao atual, útil quando temos um compartilhamento que distribui um arquivo lmhosts para diversas máquinas na rede. De preferência, utilize sempre uma diretiva #PRE para todas as máquinas especificadas na diretiva #INCLUDE em seu arquivo de configuração.

Para a especificação de ID de serviço manual, é necessário manter os 15 caracteres no nome da máquina (preenchendo os restantes com espaços, caso seja preciso). O último caracter é o código hexadecimal que identifica o serviço de rede (veja nmblookup, Seção 18.14.2.9.3 para ver a lista de serviços e sua respectiva função).

OBS: Caso crie este arquivo em um editor de textos do Linux, não se esqueça de converter o arquivo para que contenha o CR+LF no final das linhas.


18.5.2 WINS

Este é um serviço de resolução de nomes que funciona de forma semelhante ao DNS, só que voltado para o NetBIOS. Quando uma máquina cliente NetBIOS entra na rede, o servidor WINS pega seu nome e IP e inclui em uma tabela para futura consulta pelos clientes da rede.

Esta tabela consultada toda vez que um cliente NetBIOS solicita um nome de máquina, componentes do grupo de trabalho ou domínio na rede. Uma outra aplicação importante de um servidor WINS é permitir a resolução de nomes em pontos de redes que requerem roteamento, a simplicidade de um protocolo não roteável como o NetBIOS fica limitada a simplicidade das instalações de rede. Um servidor WINS pode ser instalado em cada ponta da rede e eles trocarem dados entre si e atualizar suas tabelas de nomes/grupos de trabalhos/IPs.

A resolução de nomes de máquinas será feita consultando diretamente a máquina WINS ao invés de broadcasting (que geram um tráfego alto na rede).


18.5.2.1 Configurando o servidor WINS

Para ativar o servidor WINS no samba, inclua as seguinte linha na seção [global] do seu arquivo /etc/samba/smb.conf:

     [global]
     wins support = yes
     wins proxy = no
     dns proxy = no
     max wins ttl = 518400

O parâmetro wins proxy pode ser necessário para alguns clientes antigos que tenham problemas no envio de suas requisições WINS. O dns proxy permite que o servidor WINS faça a pesquisa no DNS para localização de nomes de máquinas caso não exista no cache. Ambas as opções wins support, wins proxy e dns proxy tem como valor padrão não. Pronto, seu servidor samba agora suporta WINS. Fácil, prático e rápido :-)

Se estiver configurando uma subrede com masquerade para acesso a um PDC ou um servidor WINS, você terá que mexer no gateway central para apontar uma rota para o gateway masquerade. O motivo disto é porque o masquerade do Linux atua somente nos cabeçalhos, mas o IP da estação é enviada e processada pelo PDC para retornar uma resposta. Da mesma forma, este IP é registrado no servidor WINS para uso das estações de trabalho. Isto só vai ser resolvido quando for escrito um módulo de conntrack para conexões SAMBA (até o lançamento do kernel 2.4.22, isso ainda não ocorreu).

OBS1: NUNCA configure mais de um servidor WINS em uma mesma rede.

OBS2: NÃO especifique o parâmetro wins server caso esteja usando o suporte a WINS.


18.5.2.2 Configurando o Cliente WINS

Para os clientes da rede (Linux, Windows, OS/2, etc.) fazer uso das vantagens da resolução de nomes usando o WINS, é necessário configurar para que eles o utilizem para resolver os nomes de máquinas. Isto é feito da seguinte forma em cada um dos sistemas operacionais:

Linux

Adicione a linha wins server = ip_do_servidor_WINS na seção global do arquivo /etc/samba/smb.conf:

     [global]
     wins server = 192.168.1.1

Após isto, reinicie o servidor samba. Caso esteja executando o servidor via inetd, digite: killall -HUP nmbd. Se estiver rodando através de daemons: /etc/init.d/samba restart. Não é necessário reiniciar o computador!

Windows 9x

Clique com o botão direito sobre o ícone Ambiente de Rede e selecione propriedades. Na janela de configuração de rede clique na aba Configuração. Na lista que aparece selecione o protocolo TCP/IP equivalente a sua placa de rede local e clique em Propriedades.

Na tela de Propriedades TCP/IP clique em Configurações WINS e marque a opção Ativar resolução WINS. Digite o endereço do servidor WINS e clique em Adicionar.

OBS: Se utilizar um servidor DHCP em sua rede local e o endereço do servidor WINS também é oferecido através dele, você poderá marcar a opção Usar DHCP para resolução WINS. Note que esta opção somente estará disponível se escolher a opção Obter um endereço IP automaticamente na tab Endereços IP. Clique em OK até fechar todas as telas e reinicie quando o computador perguntar :-)


18.6 Servidor de data/hora

O samba pode atuar como um servidor de data/hora ajustando o horário de suas estações de trabalho com o servidor da rede.

As estações clientes poderão executar o comando net para sincronizar seu relógio durante a inicialização do Windows, ou durante o logon da rede através do script de logon, caso tenha configurado o servidor samba para logon em domínios NT.


18.6.1 Configuração do serviço de data/hora no SAMBA

Para configurar o samba para atuar como servidor de data/hora de sua rede, adicione o seguinte parâmetro na seção global do arquivo de configuração /etc/samba/smb.conf:

     [global]
     time server = yes

Para sincronizar a data/hora das estações de trabalho usando o servidor samba, veja Sincronizando a data/hora no Cliente, Seção 18.6.2. Caso o seu servidor SAMBA também seja o servidor de autenticação PDC da rede, a melhor forma de se fazer isto é colocar o comando net time \\servidor_SAMBA /set /yes em um script que será executado pela estação.

OBS É recomendável instalar um cliente ntp para manter o relógio do servidor sempre atualizado, conseqüentemente mantendo a data/hora das estações também em sincronismo . .


18.6.2 Sincronizando a data/hora no Cliente

Na estação cliente Windows, use o seguinte comando:

     NET TIME \\SERVIDOR /WORKGROUP:GRUPO /SET /YES

Um local interessante para colocação deste comando é na pasta Iniciar da estação Windows, pois todos os comandos que estejam nesta pasta são executados quando o sistema é iniciado.

Exemplos:


18.7 Configuração em Domínio

Esta seção descreve todos os passos necessários para configurar um servidor de domínio PDC (Primary Domain Control) com perfis móveis e outros recursos que tornam úteis e seguras a administração de uma rede NetBEUI.


18.7.1 Uma breve introdução a um Domínio de rede

Um domínio de rede consiste em uma máquina central chamada de PDC, que mantém o controle de todas as contas de usuários/grupos e permissões para acesso a rede NetBEUI. O acesso desta forma é centralizado, como vantagem disto você pode usar o nível de acesso por usuários nas máquinas, definindo quais usuários ou grupos terão acesso de leitura/gravação.

É permitido criar scripts de logon, assim comandos programados pelo administrador serão executados nas máquinas clientes durante o logon no domínio (veja Criando Scripts de logon, Seção 18.7.7).

O nome da máquina é protegido contra hijacking através de contas de máquinas que fazem parte do domínio (veja Contas de máquinas de domínio, Seção 18.7.5). Isto só é possível em clientes Linux, Windows NT, Windows 2000 e Windows XP.

Você poderá usar perfis móveis, copiando todas as personalizações do seu desktop para qualquer máquina na rede que você faça o logon. Para o administrador, ele poderá definir políticas com o Poledit e outros programas que serão salvas junto com o perfil do usuário, valendo para qualquer máquina que ele se autentique na rede (veja Criando Scripts de logon, Seção 18.7.7).

Se você deseja iniciar logo a configuração do seu domínio, siga até Configurando um servidor PDC no SAMBA, Seção 18.7.4.


18.7.2 Local Master Browser

É a máquina que ganhou a eleição no segmento local de rede (veja Níveis de sistema para eleição de rede, Seção 18.2.12). Logo que é declarada o local master browser, ela começa a receber via broadcasting a lista de recursos compartilhados por cada máquina para montar a lista principal que será retornada para outras máquinas do grupo de trabalho ou outras subredes que solicite os recursos compartilhados por aquele grupo.

Uma nova eleição é feita a cada 36 minutos ou quando a máquina escolhida é desligada.


18.7.3 Domain Master Browser

Quando o local master browse é eleito no segmento de rede, uma consulta é feita ao servidor WINS para saber quem é o Domain Master Browse da rede para enviar a lista de compartilhamentos. A máquina escolhida como Local Master Browse envia pacotes para a porta UDP 138 do Domain Master e este responde pedindo a lista de todos os nomes de máquinas que o local master conhece, e também o registra como local master para aquele segmento de rede.

Caso tenha configurado sua máquina para ser o domain master browser da rede (também chamado de controlador principal de domínio ou PDC), ela tentará se tornar a máquina que terá a lista completa de recursos enviados pelos locais master browsers de cada segmento de rede. Um PDC também é o local master browse de seu próprio segmento de rede.

É possível ter mais de um domain master browse, desde que cada um controle seu próprio domínio, mas não é possível ter 2 domain master browsers em um mesmo domínio. Caso utilize um servidor WINS em sua rede, o PDC fará consultas constantes em sua base de dados para obter a lista de domínios registrados. O domínio é identificado pelo caracter 1b na rede (veja nmblookup, Seção 18.14.2.9.3).

OBS: O Windows NT configurado como PDC sempre tenta se tornar o domain master browser em seu grupo de trabalho. Não sendo possível retirar o Windows NT configurado como PDC do domínio (por alguma outra razão), a única forma será deixar ele ser o domain master browser. Se este for o caso, você poderá continuar lendo este documento para aprender mais sobre NetBIOS e talvez ainda mudar de idéia sobre manter o NT na rede após ver as características do SAMBA ;-)


18.7.4 Configurando um servidor PDC no SAMBA

Esta é a parte interessante do guia, a prática. Para os administradores que conhecem através da experiência própria os problemas e definições do SAMBA, grande parte do guia foi apenas uma revisão (por favor, se faltou algo que acha interessante, me notifiquem que incluirei na próxima versão e colocarei uma nota no lançamento e na página com os devidos créditos :-))

Para configurar uma máquina para ser o PDC (Controladora Principal de Domínio ou Primary Domain Control), siga esta seqüência:

Pronto, agora teste se existem erros em sua configuração executando o comando testparm (Buscando problemas na configuração, Seção 18.2.11) e corrija-os se existir. Resta agora reiniciar o servidor nmbd para que todas as suas alterações tenham efeito. Para adicionar seus clientes a um domínio, veja Contas de máquinas de domínio, Seção 18.7.5 e Configurando clientes em Domínio, Seção 18.14.3.


18.7.5 Contas de máquinas de domínio

Uma conta de máquina de domínio garante que nenhum outro computador possa utilizar o mesmo nome de uma máquina confiável e assim utilizar os compartilhamentos que ela tem permissão. Os clientes Windows NT, Windows XP e Windows 2000 precisam de uma conta de máquina para ter acesso ao domínio e seus recursos. A criação de uma conta de máquina é bastante semelhante a criação da conta de um usuário normal no domínio.

Existe uma coisa que precisa sempre ter em mente quando estiver configurando uma conta de máquina de domínio: Quando você cria uma conta para a máquina, ela entra e altera sua senha no próximo logon usando um "segredo" entre ela e o PDC, este segredo a identifica sempre como dona daquele nome NetBIOS, ou seja, até o primeiro logon no NT, outra máquina com o mesmo nome NetBIOS poderá ser a dona do netbios naquele domínio caso faça o logon no domínio. A única forma de se evitar isto é logar imediatamente no domínio NT assim que criar as contas de máquinas.

Existem duas formas para criação de contas de máquinas: manual e automática.


18.7.5.1 Criando contas de máquinas manualmente

Para criar uma conta de domínio para a máquina master, siga estes 2 passos:

  • Crie uma conta de máquina no arquivo /etc/passwd:

         useradd -g domainmac -c "Maquina de Dominio" -s /bin/false -d /dev/null master$
    

    O comando acima cria uma conta para a máquina master$ e torna ela parte do grupo domainmac. É necessário especificar o caracter $ após o nome da máquina para criar uma conta de máquina no domínio, caso contrário o próximo passo irá falhar. Acredito que nas próximas versões do SAMBA seja desnecessário o uso do arquivo /etc/passwd para a criação de contas de máquina.

  • Crie uma conta de máquina no arquivo /etc/samba/smbpasswd:

         smbpasswd -m -a master
    

    Isto cria uma conta de máquina para o computador master no arquivo /etc/samba/smbpasswd. Note que a criação de uma conta de máquina é muito semelhante a criação de um usuário apenas precisa adicionar a opção -m. Quando for criar uma conta com o smbpasswd Não é necessário especificar $ no final do nome da máquina.

    O mais importante: Entre IMEDIATAMENTE no domínio após criar a conta de máquina usando a conta de administrador de domínio criada no SAMBA (veja Criando uma conta de administrador de domínio, Seção 18.7.6)! como a máquina ainda não se autenticou pela primeira vez, qualquer máquina que tenha o mesmo nome e entre no domínio, poderá alocar o nome recém criado. A única forma de resolver este problema, é apagando a conta de máquina e criando-a novamente no domínio. Siga os passos de acordo com o sistema operacional em Configurando clientes em Domínio, Seção 18.14.3 para colocar seus clientes em domínio.

  • OBS1: Como segurança, recomendo desativar a conta de máquina no /etc/passwd usando o comando passwd -l conta. Esta conta NUNCA deverá ser usada para login, isto deixa nossa configuração um pouco mais restrita.

    OBS2: A localização do arquivo de senhas criptografadas do SAMBA pode ser modificado através da opção smb passwd file na seção [global] do arquivo smb.conf.

    OBS3: Os que tem experiência com NT e Windows 2000 devem ter notado que este método é semelhante ao do Server Manager das ferramentas de gerenciamentos de servidores existentes no Windows.


    18.7.5.2 Criando contas de máquinas automaticamente

    Através deste método, as máquinas clientes terão sua conta criada automaticamente assim que seja feita a entrada no domínio usando a conta do administrador de domínio no SAMBA. Este é o método recomendável de colocação de máquinas no domínio por ser mais prática ao invés do método manual. Note que normalmente isto funciona para o WinXP e Win2000 mas não funciona em redes com o NT4, devendo ser criadas contas de máquinas usando o método manual.

    Para fazer a configuração automática, coloque a seguinte linha no arquivo smb.conf na seção [global]:

         add user script = useradd -g domainmac -c "Maquina de Dominio" -s /bin/false -d /dev/null %u
    

    Assim, a conta de máquina será automaticamente criada quando o administrador fizer sua configuração no domínio (veja Criando uma conta de administrador de domínio, Seção 18.7.6). No SAMBA 3.0, a opção add machine script deverá ser usada no lugar de add user script para adicionar uma máquina no domínio.


    18.7.6 Criando uma conta de administrador de domínio

    A conta de administrador do domínio é a conta que tem permissões para realizar operações de manutenção e administração de máquinas que compõem o domínio de rede. Com ela é possível, entre outras coisas, adicionar e remover máquina que compõem o domínio. Para especificar que contas de usuários do arquivo /etc/samba/smbpasswd que terão poderes administrativos, utilize a opção domain admin group ou admin users na seção [global] do arquivo /etc/samba/smb.conf.

    O parâmetro admin users permite que todas as operações realizadas pelo usuário sejam feitas com poderes de usuário root. Isto é necessário porque o arquivo smbpasswd (usado para ajustar as contas de máquinas) normalmente tem permissões de leitura/gravação somente para root. O domain admin group permite que usuários específicos ou usuários do grupo especificado sejam parte do grupo de administradores do domínio para adicionar máquinas, etc. Por exemplo, para tornar o usuário gleydson com privilégios para adicionar/remover máquinas no domínio:

         [global]
         ...
         admin users = gleydson
         ou
         domain admin group = @admins gleydson
    

    Isto permite que o usuário gleydson possa adicionar/remover máquinas do domínio NT (veja Configurando clientes em Domínio, Seção 18.14.3) entre outras tarefas. Por segurança, recomendo que coloque esta conta no invalid users de cada compartilhamento para que seja utilizada somente para fins de gerenciamento de máquinas no domínio, a menos que deseje ter acesso total aos compartilhamentos do servidor (nesse caso, tenha consciência do nível de acesso que esta conta possui e dos problemas que pode causar caso caia em mãos erradas).

    OBS1: Tenha SEMPRE bastante cuidado com quem dará poderes de administrador de domínio, pois toda sua rede poderá ficar vulnerável caso os cuidados de administração não estejam em boas mãos.

    OBS2: Em versões antigas do SAMBA, somente o usuário root tem poderes para adicionar máquinas no domínio usando o parâmetro domain admins group, devendo ser também adicionado no arquivo smbpasswd para que possa fazer isto e obviamente não deverá estar listado em invalid users. Mesmo assim, existem outras formas explicadas no guia de se contornar o risco causado pela liberação de acesso do usuário root.


    18.7.7 Criando Scripts de logon

    Uma dos recursos mais úteis em um domínio é a possibilidade de se executar comandos nas máquinas cliente quando fazem o logon no domínio. Desta forma, é possível instalar programas, executar anti-vírus, mapear compartilhamentos automaticamente no clientes, etc. A programação de scripts de logon é feita usando a linguagem em lote do DOS, com possibilidades de usar variáveis de ambiente, cópia de arquivos entre servidores, etc. O guia não irá abordar a programação em linguagem de lote, mas isto é simples de se encontrar na internet e mesmo a documentação que acompanha o próprio Windows é útil.

    Para habilitar o recurso de scripts de logon na máquina, adicione os seguintes parâmetros no arquivo smb.conf:

         [global]
         domain logons = yes
         logon script = logon.cmd
         
         [netlogon]
             path = /pub/samba/netlogon
             read only = yes
             write list = ntadmin
    

    Segue a descrição de cada parâmetro com detalhes importantes para a configuração e funcionamento do recurso de logon:

    Um detalhe que deve ser lembrado durante a programação do script de logon é que ele DEVE seguir o formato DOS, ou seja, ter os caracteres CR+LF como finalizador de linhas. Para utilizar editores do UNIX para escrever este script, será necessário executar o programa flip (flip -m -b arquivo) ou unix2dos no arquivo para converte-lo em formato compatível com o DOS.

    Segue abaixo um exemplo de script de logon que detecta quando o cliente é Windows 95/NT, ajusta a hora com o servidor e mapeia 2 unidades de disco:

         @echo off
         cls
         rem Logon Script desenvolvido por Gleydson Mazioli 
         rem da Silva como modelo para o guia Foca GNU/Linux
         rem
         rem Este script pode ser utilizado para fins didáticos
         rem e distribuído livremente de acordo com os termos
         rem da GPL 
         rem 
         echo "Aguarde enquanto sua máquina efetua"
         echo "o logon na rede do domínio focalinux."
         rem 
         if %OS%==Windows_NT goto NT-2000
         rem 
         echo "--------------------------------"
         echo "SO: %OS%"
         echo "Usuário: %USERNAME%"
         echo "Grupo de Trabalho: %LANGROUP%"
         echo "Servidor: %DOMINIO%"
         echo "--------------------------------"
         echo "Recuperando compartilhamentos"
         rem mapeia o compartilhamento publico definido no servidor
         net use e: \\gleydson\publico
         echo "Sincronizando data/hora"
         rem sincroniza a data/hora com o servidor
         net time \\gleydson /set /yes
         goto fim
         rem
         rem
         :NT-2000
         echo "--------------------------------"
         echo "SO: %OS%"
         echo "Usuário: %USERNAME%"
         echo "Windows: %windir%"
         echo "Logon de domínio: %LOGONSERVER%"
         echo "--------------------------------"
         echo "Recuperando compartilhamentos"
         net use e: \\gleydson\publico /persistent:yes
         echo "Sincronizando data/hora"
         net time \\gleydson /set /yes
         rem
         rem
         goto fim
         rem
         :fim
    

    Note no exemplo acima que não podem haver linhas em branco, você deverá utilizar a palavra rem (comentário em arquivos em lote) em seu lugar. Note que existem diferenças entre o comando net do Windows 9x/ME e do NT, as variáveis também possuem um significado diferente entre estes 2 sistemas, isto explica a necessidade de se incluir um bloco separado detectando a existência de qual sistema está sendo efetuado o logon.

    A lista completa de variáveis disponíveis para cada sistema operacional pode ser obtida colocando-se set >c:\vars.txt que gravará uma lista de variáveis disponíveis durante o logon no arquivo c:\vars.txt da máquina cliente.

    OBS: Caso especifique um computador que contém o script de login, lembre-se de faze-lo sempre com \ ao invés de / para não ter incompatibilidade com o Windows 95/3.11.

    ATENÇÃO: Lembre-se que copiar e colar pode não funcionar para este script. Leia novamente esta seção do guia se estiver em dúvidas.


    18.7.8 Configurando perfis de usuários

    Os profiles permitem que os clientes utilizem o mesmo perfil em qualquer máquina que ele se autentique na rede. Isto é feito após a autenticação copiando os arquivos que contém os dados de personalização de usuários (user.dat, NTuser.dat) para a máquina local. Este processo também inclui a cópia de papéis de parede, links da área de trabalho, cache do IE, etc. Para configurar o recurso de perfis móveis no domínio, é necessário adicionar os seguintes parâmetros no seu arquivo smb.conf:

         [global]
         security = user
         encrypt passwords = yes
         domain logons = yes
         logon drive = H:
         logon path = \\%N\profilesNT\%u
         logon home  = \\%N\profiles\%u
         preserve case = yes
         short preserve case = yes
         case sensitive = no
         
         [profiles]
             path = /pub/profiles
             read only = no
             create mask = 0600
             directory mask = 0700
         
         [profilesNT]
             path = /pub/profilesNT
             read only = no
             create mask = 0600
             directory mask = 0700
    

    Segue a descrição dos parâmetros de detalhes para seu funcionamento:

    O compartilhamento dos 2 profiles pode ser feito sem tantos traumas, mas isto não será explicado profundamente no guia pois o procedimento segue o mesmo padrão do NT sendo bastante documentado na internet.

    Note que é possível definir um servidor separado para servir os profiles para um domínio modificando a variável %N para apontar direto para a máquina. Na máquina que armazenará os profiles, basta definir o nível de segurança por servidor (security = server) e o endereço IP do servidor de senhas (password server = IP).

    OBS1: Os perfis só funcionam caso o servidor de profiles contenha a opção security = user e encrypt passwords = yes ou security = server e password server = endereço_IP. Caso tenha problemas, verifique se uma destas alternativas está correta.

    OBS2: Quando utiliza o SAMBA com o Windows 2000 SP2, é necessário adicionar a opção nt acl support = no no compartilhamento [profiles], caso contrário, ele retornará um erro de acesso ao compartilhamento.


    18.7.9 Modificações de permissões de acesso pelos clientes do domínio

    Um usuário do Windows NT (ou versões baseadas neste) pode modificar as permissões dos arquivos/diretórios que tem acesso através da caixa de diálogo de listas de acesso do NT, lembrando que estas permissões nunca substituirão as definidas pelo administrador local.

    A opção "nt acl support" deverá estar definida para "yes" na seção [global] do arquivo de configuração, caso contrário você não terá acesso para mudar as permissões através de caixas de diálogo do NT. \


    18.8 Ativando o suporte a senhas criptografadas

    O uso de senhas criptografadas é um requisito quando você deseja configurar o SAMBA para ser um servidor PDC ou um cliente de um domínio. Quando utiliza senhas criptografadas, elas trafegam em formato seguro através da rede, dificultando a captura por outras pessoas. Em versões mais recentes do Windows (a partir da OSR/2 e NT 4 service pack3) o suporte a senhas criptografadas vem habilitado como padrão para login e utilização de serviços da rede. Não é recomendável desativar o uso de senhas criptografadas, mas se mesmo assim for necessário veja Senhas criptografadas ou em texto puro?, Seção 18.12.15.

    Quando usamos senhas criptografadas, elas são armazenadas no arquivo /etc/samba/smbpasswd ao invés do /etc/passwd, isto permite que possamos controlar as permissões de usuários separadamente das do sistema e diferenciar os logins do domínio dos logins do sistema (usuários que possuem shell). Caso tenha um servidor que já possua muitas contas de usuários acessando em texto plano, recomendo ler Migrando de senhas texto plano para criptografadas, Seção 18.8.1 para facilitar o processo de migração de contas.

    O utilitário smbpasswd é o programa utilizado para gerenciar este arquivo de senhas e também o status de contas de usuários/máquinas do domínio. Siga estes passos para ativar o uso de senhas criptografadas no SAMBA:

  • Edite o arquivo /etc/samba/smb.conf e altere as seguintes linhas na seção [global] para adicionar o suporte a senhas criptografadas:

         [global]
         encrypt passwords = true
         smb passwd file =/etc/samba/smbpasswd
    

    A linha encrypt passwords = true diz para usar senhas criptografadas e que o arquivo /etc/samba/smbpasswd contém as senhas (smb passwd file =/etc/samba/smbpasswd).

    Caso sua máquina seja apenas um cliente de rede (e não um PDC), você pode pular para o passo onde o SAMBA é reiniciado (no final dessa lista), não é necessária a criação do arquivo de senhas para autenticação pois os usuários serão validados no servidor.

  • Execute o comando mksmbpasswd </etc/passwd >/etc/samba/smbpasswd. Ele pega toda a base de usuários do /etc/passwd e gera um arquivo /etc/samba/smbpasswd contendo as contas destes usuários. Por padrão, todas as contas são DESATIVADAS por segurança quando este novo arquivo é criado. O novo arquivo terá o seguinte formato:

         gleydson:1020:XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX:XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX:[U          ]:LCT-00000000:Gleydson Mazioli da Silva,,,
         geovani:1004:XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX:XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX:[U          ]:LCT-00000000:Geovani Mazioli da Silva,,,
    

    Os campos são separados por ":" e cada campo possui o seguinte significado:

  • O primeiro é o nome de usuário

  • UID do usuário no sistema UNIX que a conta será mapeada.

  • Senha Lan Manager codificada em hex 32 criado usando criptografia DES usada pelo Windows 95/98/ME.

  • Senha hash criada em formato do NT codificada em hex 32. Esta senha é criada pegando a senha do usuário, convertendo-a para maiúsculas, adicionados 5 bytes de caracteres nulos e aplicando o algoritmo md4.

  • Opções da conta criada no smbpasswd:

  • Os caracteres "XXXXXXXXXXXXXXX" no campo da senha, indica que a conta foi recém criada, e portanto está desativada. O próximo passo é ativar a conta para ser usada pelo SAMBA.

    ATENÇÃO: O método de criptografia usado neste arquivo não é totalmente seguro. Recomendo manter o arquivo de senhas smbpasswd em um diretório com a permissão de leitura somente pelo root.

  • Para ativar a conta do usuário gleydson, usamos o comando:

         smbpasswd -U gleydson
    

    Digite a senha do usuário e repita para confirmar. Assim que a senha for definida, a conta do usuário é ativada. Você também pode especificar a opção "-s" para entrar com a senha pela entrada padrão (muito útil em scripts). Apenas tenha cuidado para que esta senha não seja divulgada em seus arquivos/processos.

  • Reinicie o processo do SAMBA (veja Iniciando o servidor/reiniciando/recarregando a configuração, Seção 18.1.9).

  • Verifique se o suporte a senhas criptografadas está funcionando com o comando:

          smbclient -L localhost -U gleydson
    

    Substitua localhost pelo IP do servidor e gleydson pelo usuário. Caso obtenha a mensagem session setup failed: NT_STATUS_LOGON_FAILURE significa que a senha informada está incorreta.


  • 18.8.1 Migrando de senhas texto plano para criptografadas

    No SAMBA, é possível fazer um processo de migração de senhas em texto plano de usuários para criptografadas sem que eles deixem de acessar o servidor durante esta mudança. Caso este seja seu caso, insira o parâmetro

         update encrypted = yes
    

    na seção [global] do seu arquivo de configuração smb.conf. A senha criptografada é definida assim que o usuário se logar usando sua senha em texto plano. Não se esqueça de desativar esta opção ou remove-la após o prazo necessário para que todas as senhas sejam trocadas.


    18.8.2 Adicionando usuários no smbpasswd

    A adição de um usuário no smbpasswd segue duas etapas: primeiro é necessário adiciona-lo no sistema com o adduser e depois no samba com o smbpasswd. Você deve estar se perguntando qual a vantagem de se ter um arquivo separado de usuários se ainda é preciso criar o login nos dois arquivos; O SAMBA para fazer o controle de acesso aos arquivos utiliza além dos mecanismos tradicionais do NT, o controle de permissões a nível UNIX para manter os arquivos ainda mais restritos. Além disso, será necessário usuários e grupos para criação e acesso ao sistema.

  • Adicione um usuário no sistema com o comando:

          useradd -g grupo-dominio -c "Usuário de Domínio" -s /bin/false -d /dev/null joao
    

    Este comando adiciona o usuário "joao" no grupo grupo-dominio e não define hem uma shell, diretório home nem senha para este usuário. Isto mantém o sistema mais seguro e não interfere no funcionamento do SAMBA, pois somente é necessário para fazer o mapeamento de UID/GID de usuários com as permissões do sistema UNIX.

    É interessante padronizar os usuários criados no domínio para um mesmo grupo para pesquisa e outras coisas.

  • Crie o usuário "joao" no SAMBA:

         smbpasswd -a joao
    

    Será solicitada a senha do usuário.


  • 18.8.3 Removendo usuários do smbpasswd

    Utilize o comando smbpasswd -x usuario para remover um usuário do arquivo smbpasswd. Se desejar, você pode manter o usuário no /etc/passwd ou remove-lo com o userdel.

    OBS: Removendo um usuário deste arquivo fará que ele não tenha mais acesso ao SAMBA. Utilize o comando smbpasswd -a teste


    18.8.4 Desabilitando uma conta no smbpasswd

    Como administrador, pode ser necessário que precise desativar temporariamente uma conta de usuário por alguma situação qualquer (má utilização de recursos, dúvida se a conta está sendo usada, para que ele ligue reclamando de autenticação para ter aquela desejada conversa (hehe), etc.). Remover uma conta e novamente adiciona-la então não é uma situação muito prática. Utilize então o seguinte comando para desativar uma conta de usuário:

         smbpasswd -d usuario
    

    Quando a conta de usuário é desativada, uma flag "D" é adicionada às opções do usuário (junto com as opções "UX"). Veja Habilitando uma conta no smbpasswd, Seção 18.8.5 para reativar a conta.


    18.8.5 Habilitando uma conta no smbpasswd

    Uma conta desativada com o uso do comando smbpasswd -d pode ser novamente ativada usando:

          smbpasswd -e usuario
    

    18.8.6 Alterando a senha de um usuário

    O utilitário smbpasswd pode ser usado tanto para alterar a senha de usuários locais do SAMBA ou de uma conta em um servidor remoto (seja SAMBA, NT, W2K). Para alterar a senha de um usuário local, digite:

         smbpasswd -U usuario
    

    Lhe será pedida a antiga senha, a nova senha e a confirmação. Caso seja o usuário root, somente a nova senha e a confirmação. Isto é mecanismo de proteção para usuários que esquecem a senha ;-)

    Para alterar a senha de um usuário remoto, utilize:

         smbpasswd -r servidor -U usuario
    

    Note que apenas foi adicionada a opção -r servidor comparado com a opção anterior. A diferença é que a senha antiga do usuário sempre será solicitada para troca (pois o root das 2 máquinas pode não ser o mesmo).


    18.8.7 Definindo acesso sem senha para o usuário

    Para fazer um usuário acessar sem senha, use o comando:

         smbpasswd -n usuario
    

    Isto é completamente desencorajado e necessita que a opção null passwords da seção [global] no arquivo smb.conf esteja ajustada para yes (que NÃO é o padrão).


    18.9 Ativando o suporte a senhas em texto plano

    Esta forma de autenticação é enviada por implementações NetBIOS antigas, como a encontrada no Lan Manager, Windows for Workgroups e Windows 95 OSR1. As versões mais novas destas implementações enviam a senha em formato criptografado, sendo necessário também usar o formato criptografado no SAMBA para que possa se autenticar (veja Ativando o suporte a senhas criptografadas, Seção 18.8).

    Em Senhas criptografadas ou em texto puro?, Seção 18.12.15 é feita uma comparação entre o uso de autenticação usando senhas em texto plano e senhas criptografadas. Em geral, o administrador prefere a utilização da autenticação usando texto plano quando deseja usar o /etc/passwd para autenticação e está usando grupos de trabalho é necessário usar senhas criptografadas para autenticação).

    Para configurar o SAMBA para utilizar senhas em texto, modifique o parâmetro encrypt passwords para no:

         [global]
         encrypt passwords = no
    

    Reinicie o SAMBA (Iniciando o servidor/reiniciando/recarregando a configuração, Seção 18.1.9) e a partir de agora, ele usará o /etc/passwd para autenticação.

    OBS: Tenha certeza de não estar participando de um domínio ou que sua máquina seja o PDC antes de fazer esta modificação.


    18.9.1 Configurando o acesso de clientes para uso de senhas em texto plano

    Esta seção descreve como configurar clientes para acessar o servidor SAMBA usando autenticação em texto plano. Atualmente o guia cobre os seguintes clientes:

    Em cada seção, também é explicado como habilitar novamente a autenticação usando senhas criptografadas (se suportado pelo cliente).


    18.9.1.1 Lan Manager

    Cliente NetBIOS para DOS. Ele trabalha somente com senhas em texto plano.


    18.9.1.2 Windows for Workgroups

    Este é o padrão de autenticação do Windows for Workgroups caso não tenha feito nenhuma alteração específica (mas desconheço algo que faça-o trabalhar com senhas criptografadas).


    18.9.1.3 Windows 95 / Windows 95A

    O Windows 95 até a release "A", utiliza texto plano como padrão para autenticação (veja qual a release clicando com o botão direito em Meu Computador e Propriedades.


    18.9.1.4 Windows 95B

    Copie o seguinte conteúdo para um arquivo chamado win95-textoplano.reg:

         REGEDIT4
         
         [HKEY_LOCAL_MACHINE\System\CurrentControlSet\Services\VxD\VNETSUP]
         "EnablePlainTextPassword"=dword:00000001
    

    Após isto, execute no Windows 95 o seguinte comando: regedit win95-textoplano.reg e reinicie o computador para fazer efeito.

    Para voltar a utilizar criptografia, apenas altere o valor dword para 00000000 no arquivo e executa novamente o regedit.


    18.9.1.5 Windows 98/98SE

    O procedimento é idêntico ao Windows 95B, Seção 18.9.1.4.


    18.9.1.6 Windows ME

    O procedimento é idêntico ao Windows 95B, Seção 18.9.1.4.


    18.9.1.7 Windows NT Server/WorkStation

    Copie o seguinte conteúdo para um arquivo chamado winNT-textoplano.reg:

         REGEDIT4
         
         [HKEY_LOCAL_MACHINE\SYSTEM\CurrentControlSet\Services\Rdr\Parameters]
         "EnablePlainTextPassword"=dword:00000001
    

    Após isto, execute no Windows NT o seguinte comando: regedit winNT-textoplano.reg e reinicie o computador para fazer efeito.

    Para voltar a utilizar criptografia, apenas altere o valor dword para 00000000 no arquivo e execute novamente o regedit.


    18.9.1.8 Windows 2000

    Copie o seguinte conteúdo para um arquivo chamado win2000-textoplano.reg:

         REGEDIT4
         
         [HKEY_LOCAL_MACHINE\SYSTEM\CurrentControlSet\Services\LanmanWorkStation\Parameters]
         "EnablePlainTextPassword"=dword:00000001
    

    Após isto, execute no Windows 2000 o seguinte comando: regedit win2000-textoplano.reg e reinicie o computador para fazer efeito.

    Para voltar a utilizar criptografia, apenas altere o valor dword para 00000000 no arquivo e execute novamente o regedit.


    18.9.1.9 Linux

    Inclua/modifique a linha encrypt passwords = no no arquivo smb.conf e reinicie o SAMBA. Para voltar a utilizar criptografia, veja Ativando o suporte a senhas criptografadas, Seção 18.8.


    18.10 Mapeamento de usuários/grupos em clientes

    O mapeamento de usuários do servidor remoto com a máquina local é usado quando você deseja controlar o acesso aos arquivos/diretórios a nível de usuário. No Windows isto permite que cada arquivo/diretório tenha o acesso leitura/gravação somente para os usuários definidos e autenticados no controlador de domínio. No Linux as permissões de arquivos e diretórios podem ser definidas para o usuário do PDC, garantindo o mesmo nível de controle de acesso.

    Esta seção explica como configurar o mapeamento de UID/GID entre o servidor PDC SAMBA e seus clientes NetBIOS Windows e Linux.


    18.10.1 Mapeamento de usuários/grupos domínio em Windows

    Para o Windows utilizar os usuários remotos do servidor para fazer seu controle de acesso por nível de usuário, siga os seguintes passos:

    Windows 9X

    Entre no Painel de Controle/Propriedades de Rede e clique na tab Controle de Acesso. Marque a opção Controle de acesso a nível de usuário e coloque o nome da máquina PDC na caixa de diálogo de onde os usuários/grupos serão obtidos. Você também pode colocar o nome do grupo de trabalho, neste caso a máquina fará uma busca pelo PDC ou outra máquina de onde pode obter os nomes de usuários/grupos.

    OBS: Para fazer isto, você deverá estar autenticado no domínio.


    18.10.2 Mapeamento de usuários/grupos domínio em Linux

    A associação de UIDs de usuários de um domínio com usuários locais no Linux é feita pelo programa winbind. Ele utiliza o mecanismo nsswitch